A arte do improviso

Poucos sabem, mas tenho passado dias e mais dias me arrastando. Me consumindo na minha solidão e idealizando um amor que nem sei ao certo se é capaz de existir. Dei mais de mim a você do que eu mesma ofereci a mim. Talvez esse tenha sido meu grande erro. Aquela coisa de esperar, esperar, esperar... Esperar sentada, convenhamos. Esperar alguma surpresa, coisa diferente. Aqueles momentos que a gente vive vendo em filme ou novela e acredita que possa acontecer assim que acordarmos no dia seguinte. Um café da manhã na cama, flores no trabalho ou uma visita louca e inesperada para dar um beijo de boa noite. Essas coisas meio sem explicação e que não custam nada, mas que nós, mulheres, acreditamos ser a cereja do bolo das relações alheias. O problema de esperar tanto, é que sem que eu percebesse, deixei a vida passar. Quando dei por mim, lá estava ela escapando pelas minhas mãos. E dessa vez a culpa não foi sua, foi minha. A única pessoa que tem domínio sobre ela, e que pode fazer algo para que as coisas mudem, sou eu mesma. Deixei de ser personagem principal da minha própria história, para ser coadjuvante da sua. Olha, que engraçado. Logo eu, que sempre sonhei com grandes papéis. Logo eu, que nunca fui de me contentar com pouco decidi aceitar uma simples participação em troca de um pouco de atenção. Acho que a atenção deixou de ser suficiente. Nunca deveríamos nos acomodar quando o assunto é sentimento e relações. Sempre existe algo a ser descoberto, sempre existem meios para melhorar. Novas maneiras de surpreender, novas fantasias para desvendar, novas manias para explorar. O sucesso das relações duradouras não é a ausência de brigas. É não se render. É não deixar que o tempo torne a relação velha, pelo contrário, é necessário saber inovar, usando a maturidade e solidificação desses dias, meses ou anos juntos. Se relacionar é a arte de conciliar o tempo e o improviso a seu favor.
Carolline Vieira
Quem sou eu?
Carioca, estudante de jornalismo e apaixonada pelas palavras. O tipo errado de garota certa. Impulsiva, dramática, mas sem perder o senso de humor. Posso amar e odiar na mesma intensidade, nunca por muito tempo. Bipolaridade é meu sobrenome. Acredito no amor, principalmente quando vem seguido da palavra próprio no final.
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